sábado, 7 de junho de 2008

LISBOA

Lisboa. Cidade fantástica. Movimentada. Com História. É bom viver por cá.

Das Avenidas Novas à Baixa. Dos bairros velhos a Belém. Alvalade, Santos, Bairro Alto, os meus Olivais. Todos diferentes, mas todos Lisboa.

20 anos cá e sente-se uma ligação que só nós lisboetas de gema (ou alguns lisboetas adoptados) conseguimos entender. É tão bom passear à tarde na Baixa, mas também é bom cruzá-la de noite para ir apanhar um táxi no Terreiro do Paço quando se andou a pé a noite toda desde as Avenidas Novas. É bom estudar 15 anos num colégio numa quinta centenária em Marvila, mas ao mesmo poder ir almoçar a Alvalade antes das aulas da tarde apanhando o antigo 68. Ir tomar um café perto do rio, no fim de Lisboa, bem depois da ponte 25 de Abril. Uma noitada de cinema no Alvaláxia seguida de uns nuggets no McDrive de Telheiras. Conversar até às tantas num café recôndito e aberto até às 4h da manhã em Benfica chamado Barba Negra. Passar uma tarde na FNAC do Chiado. Lanchar na Guerra Junqueiro à pressa para o parquímetro da Praça de Londres não expirar. Calcorrear ruas e ruas à noite num Daewoo Matiz de 1999 enquanto se entrega a casa amigos, amigas, conhecidos e amigos de conhecidos. Beber um copo em Santos e acabar a noite no Lux com o Sol a raiar. Os amigos de sempre no Magnetic da Duque de Ávila. Apanhar sol na esplanada da faculdade. Nos Olivais, a família, a nossa casa, passear os cães à noite quando não há vivalma. Olhar para os sítios e ver o que já lá não está, encontrar as nossas memórias de putos. As estações de metro, de sítios onde nunca sequer vimos o sol, mas que percorremos como se ruas ao ar livre se tratassem. Os museus, que os vimos todos em visitas de estudo da escola. De manhã ao fim-de-semana ir à feira de coleccionismo no Mercado da Ribeira, feira a que se vai desde miúdo quando ainda era no Terreiro do Paço. O miradouro da Graça, o castelo, a sé, a confusão dos Santos Populares. Passear junto ao Tejo ao longo do Parque das Nações durante a noite, e durante o dia também. Os taxistas simpáticos, os taxistas não tão simpáticos. O Túnel de Santos, a Botica, a pastelaria Gouveia, onde se fizeram 3 ou 4 jantares da turma com que se viveu dos 3 aos 15 anos. Os amigos aqui e ali, quando se espera, e quando menos se espera. Seis horas de conversa com aquela pessoa, com uma vista do caraças, no castelo, depois de dar voltas e voltas por escadinhas escuras e becos do tempo dos Descobrimentos. Filmes da Disney dos anos 90 no cinema Monumental, ainda dobrados porque não se consegue ler as legendas. Ficar encharcado à espera na fila do Garage para ouvir música má mas que ainda hoje se gosta. Jantares no Chimarrão da João XXI, um hambúrguer no Hard Rock Café com uma caipirinha, um bife na Bica, indiano no Bairro Alto, japonês na Trindade, Portugália de Picoas, Casa México quase em São Bento. Um lache no Lavandaria Café do Parque das Nações. Um concerto no Coliseu, uma peça no Tivoli. Um sour do By Me. Um crepe do Coffee & Pot, ou um da Häagen-Dazs do Chiado. Buffett na Pizza-Hut dos Olivais. Conversar nos confins de Benfica, ou num parque infantil de Sete Rios. Alto dos Moinhos a fazer trabalhos até tarde. Estudar na Católica, para exames do secundário. Ir aos pastéis de Belém. Receber um amigo no aeroporto. Ver a bola na Luz ao entardecer e sair de lá à noite contente, ou a chorar. Infiltrar-se em festas de universidades alheias no Budha, nas Docas. Ir à praia e voltar num instante. Ir a Sintra e voltar num instante. Ir a Cascais, ao quiz, e voltar num instante. Em Lisboa tudo é um instante. Tudo passa a mil à hora, mesmo com radares. As pessoas passam, os sítios passam, mas muito fica. E em cada esquina que cruzamos há não só memórias mas papéis em branco prontos para serem escritos, desenhados, pintados e riscados. Lisboa tem personalidade. Não é possível odiá-la, mas gostar dela leva o seu tempo. O tempo de a gozarmos, de a percorrermos a pé, de carro ou de metro. Depois disso estamos apanhados. Somos lisboetas para o resto da vida, dependentes desta cidade rica em tudo.

1 comentário:

Anónimo disse...

q fotog hipnotizante! =)

JPgm