Um dos melhores presentes da minha vida foi um atlas. Quando era miúdo os meus pais ofereceram-me um, enorme, com para aí um metro de altura, mas que naquele tempo parecia-me um arranha-céus. Só dava para ver no chão, ou a ocupar uma mesa inteira. Tinha tudo distribuído por continentes, com bonecos por todo o lado, animais, produtos originários dos países, landmarks como a torre Eiffel ou o Big Ben, rios, montanhas, cataratas, etc. Era fantástico. Desde aí que tenho uma paixão pela geografia do tamanho daquele atlas. Muito tempo passei eu a folhear aquelas páginas maiores que o meu braço, de cartão grosso, enquanto via as capitais e fixava os sítios inadvertidamente. Os anos passaram e a paixão ficou. Quando dei por mim aos 8 anos já sabia grande parte do mundo. Fui ganhando mais atlas (lembro-me perfeitamente de dois, ainda para miúdos) e recordo-me de ficar fascinado com um de bolso do meu pai em francês, ultra-desactualizado mas com os países todos nos anos 70, e montes de informação, com todas as bandeiras. Durante a Expo '98, lembro-me, por exemplo, de andar louco de pavilhão em pavilhão a ver tudo e mais alguma coisa, a ler aqueles placares que ninguém lê onde estavam estampadas coisas sobre o Uganda ou o Turcomenistão. O que me custou descobrir a capital do Palau ou das Ilhas Marshall! Na altura eram países muito recentes, hoje continuam a viver a sua pacata vida lá para o Pacífico sem que ninguém por cá repare neles. A do Palau, Koror, decorrei-a em uns minutos num panfleto também da Expo. Hoje já não é Koror, é Melekeok. E a das ilhas Marshall continua a ser das mais difícies de explicar já que se chama Uuliga, mas fica no atol de Majuro (que é considerado a capital pela constituição).É uma coisa que evolui. As capitais mudam, os países mudam de nome, surgem novos países. Tive a sorte de viver a minha infância num mundo pós-desintegração da União Soviética e de outras federações, porque cresci a conviver com países como o Panamá, França ou Marrocos, e ao mesmo tempo com coisas estranhas a muitos como a Macedónia, o Quirguistão ou a Bielorrússia. Para mim era tudo igual. Eram países. Hoje são 195, e sei-os a todos, mais as capitais, para além de os saber localizar a todos num mapa e de os dizer todos de seguida (o que é já algo do foro da compulsividade, claro).
Hoje não consigo passar por uma livraria sem ir ver os atlas, é mais forte do que eu. Posso passar uma boa meia hora com 3 ou 4 atlas que estejam num sítio escondido da Bertrand ou da FNAC.
Este post serve para explicar a todos aqueles que me perguntam sempre "Mas como é que decoraste isso tudo?" Paixão é paixão, e quando se gosta de alguma coisa não se decora, ela entra sem avisar e depois tudo é mais fácil.
Quanto ao atlas grandalhão, ainda está no meu quarto, a gozar a merecida reforma. Não o abro há anos, mas sei perfeitamente o que lá está. O meu filho ainda há-de dizer: "Mas ó pai, Timor e o Cosovo não estão aqui? Isto está desactualizado. Vê-se mesmo que é do século passado!" E é.
Hoje não consigo passar por uma livraria sem ir ver os atlas, é mais forte do que eu. Posso passar uma boa meia hora com 3 ou 4 atlas que estejam num sítio escondido da Bertrand ou da FNAC.
Este post serve para explicar a todos aqueles que me perguntam sempre "Mas como é que decoraste isso tudo?" Paixão é paixão, e quando se gosta de alguma coisa não se decora, ela entra sem avisar e depois tudo é mais fácil.
Quanto ao atlas grandalhão, ainda está no meu quarto, a gozar a merecida reforma. Não o abro há anos, mas sei perfeitamente o que lá está. O meu filho ainda há-de dizer: "Mas ó pai, Timor e o Cosovo não estão aqui? Isto está desactualizado. Vê-se mesmo que é do século passado!" E é.
Sem comentários:
Enviar um comentário